Quase metade dos bebês de mães residentes em Alagoas nasceu, em 2025, em um município diferente daquele onde a mãe morava. Segundo levantamento realizado a partir de dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde, foram registrados 22.680 nascimentos fora do município de residência, de um total de 46.398 nascidos vivos — o equivalente a 48,9%.

O percentual se mantém próximo de 50% nos últimos levantamentos. Em 2024, foram 21.993 nascimentos fora do município de residência, correspondendo a 48,4% do total. Já na base preliminar de 2026, referente aos meses de janeiro a março, 7.977 dos 16.437 nascidos vivos ocorreram em outra cidade, índice de 48,5%.

Maceió é o principal destino

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A capital alagoana concentra grande parte desses deslocamentos. Em 2024, Maceió registrou 7.183 nascimentos de bebês cujas mães residiam em outros municípios. Em 2025, foram mais 7.034.

Somados, os dois anos representam 14.217 nascimentos de mães residentes em outras cidades do estado. Nos primeiros três meses de 2026, outros 2.489 registros foram contabilizados.

Entre os municípios que mais enviaram gestantes para Maceió estão Rio Largo, Marechal Deodoro, Pilar, Atalaia e Satuba.

Concentração de atendimentos de alto risco

O levantamento aponta que a concentração dos nascimentos está relacionada, em parte, à distribuição da estrutura hospitalar especializada.

Alagoas possui três unidades habilitadas como referência hospitalar para gestação e puerpério de alto risco: o Hospital Regional de Arapiraca, o Hospital Universitário Professor Alberto Antunes e a Maternidade Escola Santa Mônica. As duas últimas ficam em Maceió.

A organização regionalizada do Sistema Único de Saúde (SUS) faz com que determinados serviços de maior complexidade sejam concentrados em municípios de referência. Por isso, o nascimento em outra cidade não significa, isoladamente, falta ou recusa de atendimento no município de origem.

Ainda assim, os números mostram que a dependência de deslocamentos permanece elevada. Em três levantamentos consecutivos, aproximadamente metade dos bebês nasceu fora do município onde a mãe residia.

Nascimentos também ocorrem fora de Alagoas

O deslocamento não se limita aos municípios alagoanos. Em 2025, 367 bebês de mães residentes em Alagoas nasceram em outros estados.

Os principais destinos foram Palmares e Recife, em Pernambuco; Paulo Afonso, na Bahia; e Propriá e Aracaju, em Sergipe.

Os dados utilizados na reportagem são provenientes do Sinasc. A base de 2024 está consolidada, enquanto os dados de 2025 são preliminares e os de 2026 correspondem apenas ao período de janeiro a março.

FONTE/CRÉDITOS: Francês News / Sinasc – Ministério da Saúde.