O concurso da Polícia Científica de Alagoas voltou ao centro de uma investigação após o Ministério Público de Alagoas (MPAL) receber informações da Polícia Federal apontando possíveis irregularidades no certame.

O MPAL decidiu ampliar um procedimento preparatório que já estava em andamento para incluir a apuração de possíveis manipulações de resultados e descumprimento de normas previstas no edital.

A medida consta de publicação no Diário Oficial do Ministério Público de Alagoas desta quinta-feira (1º) e foi assinada pelo promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca, da 17ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pela área da Fazenda Pública Estadual.

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O procedimento está vinculado à Portaria nº 08/2026 e ao procedimento nº 06.2026.00000209-6.

Segundo o documento, as novas informações foram encaminhadas pela Polícia Federal em Alagoas, dentro do processo nº 2026.03.22.144710.63. O MPAL cita a possível relação dos fatos com uma investigação mais ampla envolvendo suspeitas de fraudes em concursos públicos.

INVESTIGAÇÃO JÁ APURAVA POSSÍVEIS IRREGULARIDADES

A nova medida não surgiu isoladamente.

Em maio de 2026, o MPAL já havia instaurado procedimento para investigar possíveis irregularidades relacionadas à nomeação de uma candidata aprovada para o cargo de Auxiliar de Perícia da Polícia Científica de Alagoas.

Na ocasião, a investigação mencionava suspeitas de que a prova objetiva do concurso não teria sido realizada pela própria candidata, mas por uma terceira pessoa, mediante o uso de uma CNH supostamente falsificada.

O caso também passou a ser investigado pela Polícia Federal em Alagoas e pelo Ministério Público Federal na Paraíba.

De acordo com os documentos citados pelo MPAL, a candidata teria inicialmente obtido a quarta colocação, mas posteriormente caiu para a 80ª posição após o curso de formação, etapa eliminatória do concurso.

Apesar da queda na classificação, ela acabou sendo nomeada.

O procedimento também levantou questionamentos relacionados à investigação social da candidata e a possíveis interferências administrativas no processo de nomeação. Essas circunstâncias, entretanto, permanecem sob apuração pelas autoridades competentes.

NOVAS INFORMAÇÕES DA POLÍCIA FEDERAL

Com o recebimento de novas informações da Polícia Federal, o MPAL decidiu ampliar o objeto da investigação.

A nova apuração busca verificar se houve manipulação de resultados no concurso e se regras estabelecidas no edital foram descumpridas.

Até o momento, porém, o documento publicado pelo MPAL não detalha de que maneira os resultados teriam sido manipulados, nem apresenta uma conclusão definitiva sobre a existência de fraude.

Também não foram divulgados, na publicação, todos os nomes dos possíveis envolvidos, quais cargos teriam sido afetados ou quantos candidatos poderiam ter sido prejudicados.

OPERAÇÃO ENVOLVE FRAUDES EM CONCURSOS

A investigação ocorre em um contexto mais amplo de apurações sobre possíveis fraudes em concursos públicos.

Em agosto de 2026, uma operação policial investigou um esquema no qual pessoas seriam utilizadas para realizar provas no lugar de candidatos.

Segundo as investigações divulgadas na época, os envolvidos eram divididos entre os chamados "clientes", interessados na aprovação, e pessoas que fariam as provas em seus lugares. A investigação também apurava uma possível segunda modalidade envolvendo eventual vazamento antecipado de conteúdo.

Documentos judiciais relacionados a outra frente investigativa também registraram apurações da Polícia Federal envolvendo suspeitas de fraude em concursos e agentes públicos de Alagoas.

O QUE O MPAL DETERMINOU

Com o aditamento do procedimento, o Ministério Público passa a investigar formalmente as novas informações recebidas da Polícia Federal.

A decisão determina ainda que o aditamento seja comunicado ao Conselho Superior do Ministério Público de Alagoas e publicado oficialmente.

Até o momento, a medida não determina a anulação do concurso, nem apresenta decisão definitiva sobre os resultados.

Também não há, na publicação analisada, uma conclusão afirmando que todos os candidatos ou etapas do concurso tenham sido fraudados.

APURAÇÃO AINDA ESTÁ EM ANDAMENTO

O caso permanece sob investigação e poderá resultar em novas diligências, coleta de documentos e eventual responsabilização dos envolvidos, caso sejam confirmadas irregularidades.

É importante destacar que indícios investigativos não equivalem a uma condenação ou comprovação definitiva de fraude. A existência ou não de irregularidades deverá ser estabelecida pelas autoridades responsáveis após a conclusão das apurações.

O MPAL também já havia demonstrado preocupação anteriormente com questões relacionadas ao concurso da Polícia Científica, incluindo reclamações de candidatos sobre a utilização do cadastro de reserva e o cumprimento das regras do edital.

O aprofundamento da investigação agora coloca novamente o concurso da Polícia Científica de Alagoas sob escrutínio das instituições de controle e investigação.

FONTE/CRÉDITOS: Francês News