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Familiares de duas crianças que morreram após atendimentos no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, realizaram um protesto na noite desta terça-feira (29), em frente à unidade de saúde, no bairro do Trapiche. As famílias cobram esclarecimentos sobre as circunstâncias das mortes.
Os casos envolvem Richard Gabriel, de 11 meses, e Cecília Ferreira da Silva, de 2 anos. As duas crianças tinham microcefalia e utilizavam sondas para alimentação. Segundo as famílias, ambas passaram por procedimentos relacionados às sondas no HGE antes de apresentarem complicações.
Richard morreu em junho, enquanto Cecília morreu no dia 15 de setembro. Os familiares levantam suspeitas sobre possíveis falhas nos procedimentos e nas avaliações realizadas antes das altas hospitalares, mas as circunstâncias ainda são objeto de apuração.
A mãe de Cecília, Williane da Silva Pereira, relatou que levou a filha ao HGE depois que a sonda de alimentação havia saído acidentalmente. Segundo o relato apresentado pela família, após a recolocação do dispositivo, a menina recebeu alta, mas apresentou inchaço e endurecimento no abdômen quando já estava em casa.
Cecília retornou ao hospital durante a noite e morreu na manhã seguinte. A certidão de óbito apresentada pela família registra sepse de foco abdominal, abdome agudo inflamatório e falso trajeto de sonda de gastrostomia. A mãe registrou um boletim de ocorrência, que foi encaminhado à Delegacia de Combate aos Crimes contra Crianças e Adolescentes.
No caso de Richard, a mãe, Glória Omena, também relatou que o filho havia sido levado ao HGE para uma troca de sonda. Segundo ela, o bebê passou mal após receber alta e morreu no dia seguinte, depois de ser levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Ainda conforme o relato da família, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) teria apontado perfuração e lesão no estômago da criança.
FAMÍLIAS COBRAM INVESTIGAÇÃO
Durante o protesto, os familiares pediram esclarecimentos sobre os procedimentos realizados, os protocolos adotados, as avaliações feitas antes das altas e as causas das complicações apresentadas pelas crianças.
As famílias também querem saber se existe relação entre os atendimentos realizados no HGE e as mortes. Até o momento, os relatos apresentados pelas famílias não estabelecem, por si só, responsabilidade do hospital pelas mortes, sendo necessária a apuração dos casos pelas autoridades competentes.
O HGE e a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas foram procurados pela reportagem para se manifestarem sobre os atendimentos e informarem se existem investigações internas em andamento. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
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Portal João Lucas
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