Os pais de João, de apenas 2 anos, que morreu após oito dias internado no Hospital Regional de Penedo, concederam entrevista e relataram momentos de angústia vividos durante a internação. A família também questiona procedimentos e a estrutura disponível para o atendimento da criança.

Segundo a mãe, antes de chegar ao Regional, João foi levado a uma UPA apresentando cansaço intenso e barriga bastante inchada. De acordo com o relato, a família teria sido informada de que o inchaço poderia estar relacionado a gases e a criança foi liberada para casa.

Sem apresentar melhora, a mãe decidiu procurar o Hospital Regional. Ela afirma que pagou uma consulta particular com o médico Marcos e que, após avaliar a criança, o profissional teria determinado a internação imediata.

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“Esse menino não tem condições. Tem que internar ele”, teria dito o médico, segundo a mãe.

A criança foi internada e, conforme o relato da família, exames de sangue que deveriam ter sido realizados logo após a internação teriam sofrido atrasos. A mãe afirma que o exame teria sido realizado somente dias depois.

Durante a internação, outros médicos passaram a acompanhar o caso. Segundo a família, foram solicitados exames como tomografia, ultrassonografia e outros procedimentos, mas os pais relatam dificuldades para a realização, incluindo demora e problemas relacionados à disponibilidade de ambulância.

Em determinado momento, durante uma ultrassonografia, a mãe afirma ter sido questionada pelo profissional sobre a possibilidade de João ter algum problema cardíaco. Posteriormente, segundo o relato, uma médica teria informado que a criança apresentava infecção forte e líquido no pulmão.

A situação teria se agravado nos dias seguintes. A mãe conta que João passou a depender de uma quantidade maior de oxigênio e que, ao tossir, apresentava episódios de falta de ar e agonia.

“Ele só vive inchado, a barriga inchada. Ele estava muito pesado”, relatou a mãe durante a entrevista.

Na sexta-feira à noite, segundo a família, o estado da criança teria apresentado nova piora. A mãe afirma que passou a madrugada acompanhando a saturação de oxigênio do filho.

Na manhã seguinte, a equipe teria identificado o agravamento e decidido pela transferência da criança. Segundo o relato, antes de ser transferido, João precisava ser estabilizado.

Foi nesse momento que, de acordo com a mãe, começou uma intensa movimentação dentro da unidade. Ela afirma que profissionais procuravam equipamentos enquanto a criança apresentava dificuldade respiratória.

“Era uma correria tão grande”, relatou.

A mãe também afirma que alguns equipamentos necessários para o procedimento não estariam disponíveis em quantidade suficiente na unidade.

Após ser retirada da sala, a mãe conta que permaneceu do lado de fora sem receber informações durante alguns momentos. Depois, segundo seu relato, o médico saiu e comunicou a morte da criança.

“A gente fez de tudo, mas infelizmente o João morreu”, teria informado o médico à família.

A morte de João deixou os pais em busca de respostas. Os relatos apresentados na entrevista levantam questionamentos sobre a demora na realização de exames, a estrutura disponível, o suporte durante o agravamento do quadro e o processo de transferência da criança.

As declarações acima representam o relato dos pais e não comprovam, por si só, eventual falha médica ou hospitalar. O espaço permanece aberto para manifestação do Hospital Regional de Penedo e da Secretaria de Estado da Saúde, caso desejem apresentar esclarecimentos sobre o atendimento prestado.

FONTE/CRÉDITOS: Entrevista concedida pelos pais ao Portal João Lucas